quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Natal

Quando penso na palavra Natal, a primeira coisa de que me lembro é daquele papel vermelho brilhante, com flocos de neve brancos que toda a gente usava para embrulhar as prendas de Natal.

Lembro-me de me sentar com a minha mãe no nosso tapete, com todos os presentes espalhados e juntas embrulhar-mos um por um, com o papel de Natal.

Desde que me lembro, Natal é a Rua de Santa Catarina. Quando era miúda, lembro-me de ir lá muitas vezes no mês de Dezembro e ficar extasiada com o brilho das luzes de Natal que na altura me pareciam tão altas e distantes.


Neste ano não senti ainda o Natal, acho que em Aveiro não deve haver Natal. Pelo menos não como nós o conhecemos.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A minha amiga Mariana





Durante estes dias tenho-me lembrado muito da minha amiga Mariana.

Não me lembro exactamente do momento em que nos conhecemos porque tínhamos apenas 4 anos, mas lembro-me da sensação tão rara de encontrar uma pessoa que caminhava ao meu lado à medida que os anos passavam. Caminhava ao meu lado? Sim. Desenvolvíamos os mesmos gostos, as mesmas brincadeiras e a mesma forma sonhadora de ver o mundo. Lembro-me dos clássicos episódios: quando escrevíamos as peças de teatro/cinemas "As aventuras da Sefrina e da Miriam" e o Professor Jorge não nos deixava implementar as nossas ideias completamente inovadoras; o clube "Os verdes da Terra", totalmente criado e implementado por nós com o simpático número de três elementos consciencializámos a comunidade escolar sobre boas práticas ambientais; os nossos planos de vez em quando maliciosos que envolviam gravações audio; a nossa viagem até à casa dos avós da Mariana; as nossas investigações sobre o "quimirosa"; o nosso diário; a nossa inabilidade para o desenho, enfim...um milhão de episódios que valem a pena ser contados.

Ao longo dos anos, fui sempre acompanhando o crescimento da Mariana, desde a menina tímida que brincava comigo e dizia "Mãe! Não faças cenas!" e que lia a Mônica e o Cebolinha, até à escritora que já na altura se formava, quando íamos almoçar em casa dela e, depois daquela sopa maravilhosa, escrevíamos afincadamente, passando pela Mari que nos pregou uma valente surpresa quando entrou no ballet e foi um sucesso!

Os anos passaram e eis que pouco antes de ela ir para Roma eu senti de novo a minha melhor amiga de infância. Agora a Mari é muitas coisas: fantástica, divertida, criativa, sonhadora, corajosa, ousada, risonha, contagiante, linda!!!, amiga e muito bondosa. É um verdadeiro sucesso em Roma!

Tenho muitas saudades da minha amiga Mariana que, estando a 2367km (ah a maravilhosa invenção google maps), está no meu coração todos os dias quando como chocolate!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Carta a Istanbul


Minha querida Istanbul,

O teu encanto apoderou-se de mim. Sinto-me, agora, divida em três: uma parte em Aveiro, uma parte no Porto e outra parte contigo. Quando cheguei senti um cheiro diferente: uma massa de ar quente envolvida em especiarias atacou-me. Fui invadida por um milhão de luzes e palavrões turcos. Foi amor à primeira vista.

Já no avião sentia os barquinhos de pesca e o Bósforo, calmo e sereno, cruzado, porventura, por correntes dos nautas que trazem a saudade, essa palavra portuguesa que o mundo turco aprendeu.

Há um certo mistério para quem não te conhece. Mas eu conhecia-te mesmo antes de te ver. Foste-me trazida pelo mais fiel contador de histórias, que te desfiou, te descomplicou, te embelezou. Tal como Pamuk, eu também te vejo em tons de cinza, como uma memória que sempre sonhei. Sinto saudade do teu embalo, dos cânticos quando rezas, do cheiro a maresia, da música nacional, do Atatürk, da Istiklal, de Taksim, da tua luz, da forma como me olhaste e me recebeste. Foi como ser olhada por dentro. Viste além da minha pretensão europeia, descobriste a minha brisa oriental, mostraste-me nas estrelas o que era possível.

E agora tudo o que tenho são as memórias e a saudade. Deixa-me ir embora. Eu volto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Eu não sei quem te perdeu





Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.

E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.

E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os "parceiros"

Partindo de uma citação de Mia Couto a propósito dos países do Terceiro Mundo (definição do exame nacional de português, não minha).



O Terceiro Mundo deveria estar, hoje, completamente ultrapassado. A globalização é, simultaneamente, causa e consequência da aproximação dos povos. Não deveria, portanto, fazer sentido falar em países "subdesenvolvidos".
De facto, desde a Revolução Industrial e com o desenvolvimento dos meios de informação e comunicação, as assimetrias entre os países têm vindo a ser atenuadas. As elevadas taxas de imigração - legal e ilegal - e de emigração assinalam o crescente fenómeno de mobilidade. Não se pode afirmar a inexistência de características outrora típicas de "nações de periferia" nos países ditos desenvolvidos: fome, corrupção, pobreza, proliferação de doenças são exemplos de fenómenos que ocorrem simultaneamente nos dois tipos de nações.
Por outro lado, subsistem questões delicadas: serão comparáveis as taxas de analfabetismo de França e do Senegal, por exemplo? Será justo comparar as taxas de mortalidade infantil da Alemanha e da Guiné-Bissau? Poderemos comparar as condições de extrema pobreza da República do Congo com os dois milhões de pobres em Portugal? Não, não podemos. Não é comparável. Parece uma espécie de piada pervertida, no século XXI, ainda existirem pessoas a viver em tão precárias condições.
Persiste, então, a dificuldade nas parcerias. O grande problema dos países "parceiros" é a sistematização de processos. Parafraseando o ditado: "podemos dar o peixe ou ensinar a pescar" e o desafio reside na última parte. A construção de conhecimento é como a construção de uma casa: primeiro, precisamos dos tijolos, os conhecimentos básicos de sobrevivência, de modo a suportar o peso das paredes e do telhado, as tais parcerias.
Concluindo, apesar do desenvolvimento verificado nos "países parceiros", subsistem, ainda, desafios com necessidade de serem respondidos urgentemente.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Intolerância

Sou intolerante à intolerância. Não gosto de labels, não gosto de cópias, não gosto de show-off. Gosto de simplicidade, da diferença, da tolerância.

Sou crítica porque abraço a indiferença. Sou crítica porque gosto que a diferença se engrandeça e fique tão forte que ninguém possa dizer: "já vi isto em algum lugar". Sou crítica porque gosto de minorias ou gosto de minorias porque sou crítica. Sou crítica porque gosto de ensinar. Sou ainda mais crítica porque não vivo sem aprender. Sou crítica porque gosto da verdade, sou crítica porque sou eu, não sou um vazio de exigências que, num ciclo vicioso, regressam ao vazio.

Sou crítica, sou (in)tolerante, sou eu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Never kiss and tell

Hoje, a pedido do meu amigo Diogo (provavelmente o único leitor assíduo, porém nunca comentador do meu blog), vou contrariar a célebre frase e contar uma coisa pessoal.

Eu não gosto de partilhar os meus segredos. Quando era mais nova (sim, agora estou quase a chegar aos vinte, altura de assinar a certidão de óbito), com facilidade recorria aos meus amigos e familiares quando me sentia triste, quando tinha um problema na escola, quando me zangava com os meus amigos, quando me apaixonava, quando não era correspondida, quando tinha sonhos, desejos e ambições.

Não deixei de gostar de partilhar as minhas coisas, mas às vezes sabe bem saborear os segredos, saber que são nossos. Mesmo que sejam coisas que para os outros não vão ter importância, é bom saber que há um sonho que é só nosso.

Mas não é só isso, com o tempo, tornei-me mais choosy em relação às pessoas a quem me confesso. A maioria provavelmente não entenderia o meu lado profundamente enraizado de sonhadora. Não é da crítica que tenho medo, tenho medo que os outros não partilhem os meus sonhos, não os sintam como seus, não os desejem tanto como eu desejo.

No fundo, tenho medo que os meus amigos e família não me vejam como sou. Eu sou sonho, alegria e tristeza, sou música e livros, sou o meu expresso matinal com duas colheres de açúcar, sou as conversas com a Zita, sou o ping-pong, sou a condução, sou os livros de psicologia, sou pensamento, sou vida.

Sou tanto e em tão pequena dimensão. Sou os meus segredos. Sou Eu.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

American way

Ontem no telejornal 2, uma reportagem deixou-me furiosa. Os americanos estão descontentes com a liderança de Barack Obama.

Em alguns países do mundo felizmente existe liberdade de expressão e os Estados Unidos é um desses países. A reportagem mostrava meia dúzia de americanos a explicarem que estão insatisfeitos com a lei aprovada no Senado e no Congresso que alarga o sistema de saúde a uma maior parte da população.

Havia mesmo um senhor que comparava o Presidente a Hitler.

Caros americanos que participaram nesta reportagem: comam menos. A gordura e o ketchup alastrou, tal como um cancro, por todo o vosso corpo e agora afectou as vossas (já poucas) capacidades mentais.

Estive há quase dois anos em Nova Iorque. Como fanática do jazz e dos blues andavam feliz em plena Village. Mas, durante as nossas viagens dentro de Manhattan, apercebia-me de que, efectivamente, os americanos vivem no estereótipo. São gordos, pouco cultos e pouco inteligentes.

Vivem para os "hot dogs" (que aliás são repugnantes), para Holllywood e as suas "celebrities" como as "no brains" Paris Hilton e Kim Kardashian e para o futebol americano: um monte de "dudes" a empurrarem-se uns aos outros.

Enervam-me sobretudo porque têm recursos para tomar medidas que ajudem o mundo a recuperar de crises sociais e culturais. Enervam-me, em certa medida, porque têm artistas e políticos e médicos e advogados e militares como não há em mais nenhum lugar do mundo e não os reconhecem e transformam tudo num show. Há qualquer coisa dentro deste povo, uma espécie de intuição para o show business.
Mas enervam-me principalmente porque são como nós quando não reconhecemos os nossos cientistas e artistas e engenheiros e médicos.

Por isso, amigos, se estão descontentes mandem para cá o vosso "ávido marxista" que o povo agradece e precisa.

E façam um favor às milhares de pessoas que morrem de fome todos os dias: comam menos.

sábado, 13 de março de 2010

Planos

Desde o primeiro dia, há muitas semanas, eu sei, interessei-me pelo projecto desenvolvido pela minha cadeira de PM I. Pareceu-me extraordinário que alguém fosse mais obsessivo na organização de horários do que eu. E fiquei maravilhada pelo mundo que nos foi introduzido: planos de trabalho, avaliação de desempenho, crítica de imagem, resumos, etc. e tudo organizado por cores, tal como eu imagino que deve ser!

O meu pai, como muito boa gente deve saber, é psiquiatra e passa mais tempo a pensar sobre as "organizações sistémicas" do que sobre doenças mentais propriamente ditas. Mas, adiante. Num dia, há umas semanas atrás, contei-lhe sobre o meu fascínio pela cadeira e ele não ficou surpreso. No entanto, uns dias depois, interrompeu a minha sagrada hora de leitura e disse-me o seguinte: «Os planos de trabalho são instrumentos de trabalho e de vida fantásticos, mas retiram o mais importante do ser humano: a criatividade».

Naquele momento, como boa filha, ignorei-o e continuei o meu adorado Milan Kundera. Mas uns dias depois, aquela questão pairava ainda no meu subconsciente e recordei o fascinante pensamento de Karl Marx: "A criatividade é o que distingue os seres humanos".

Como passei muitas horas a preparar o meu plano de trabalho, tenho tudo perfeitamente controlado. Mas, ao elaborá-lo, perguntava-me «quando posso ser espontânea?».

A resposta surgiu dois dias depois quando o meu computador decidiu apagar o ficheiro todo e obrigar-me a fazer tudo de novo.

É assim a vida, quando queremos controlar tudo a natureza encarrega-se de estabelecer a ordem inata das coisas.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Crítica da imagem 1 - Correcção

  1. O governo escocês.
  2. Através desta campanha pretendia-se combater o racismo e promover a unidade dos escoceses. O tema da campanha era: “uma Escócia, muitas culturas”. O objectivo da campanha era apelar ao orgulho nacional dos escoceses e à sua vontade de tornar a Escócia num país culturalmente diversificado onde todos pudessem viver e trabalhar em conjunto para o bem-estar geral.
  3. A campanha utilizou uma abordagem positiva e inclusiva, não recorrendo à tradicional abordagem agressiva. Esta campanha combinou um conjunto de meios publicitários, incluindo televisão, cinema, rádio e outdoor.
4. A audiência alvo desta campanha era o povo escocês.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Análise de Imagem - uma viagem no tempo









Imagem 1

Quem comunica:

Quem comunica, no caso da imagem 1, poderá ser uma entidade escocesa ou uma empresa que pretenda criar um sentimento de pertença à Escócia.

O que comunica:

Na imagem 1, o elemento de destaque é a bandeira que está ligada a um grupo de pessoas. Comecei, portanto, por investigar a origem e a história da bandeira. Descobri que é a bandeira escocesa e que está associada à lenda de Santo André. Santo André, um dos apóstolos de Cristo, foi, segundo a lenda, crucificado numa cruz em forma de xis. Assim, a bandeira é um símbolo de sacrifício.

Nesta figura, podemos também observar um grupo de pessoas em esforço a lutar pela bandeira oficial da Escócia. Pela dupla associação, comunica-se um sentido de patriotismo, solidariedade, união, sacrifício e luta.

No plano de fundo, observamos um cenário marítimo que inclui um grande número de navios.

Como não sabemos exactamente quem comunica, arrisco uma análise contextualizada. Podemos, então, especular que o que se pretende comunicar é o sentimento de nacionalidade, pertença, união e identidade colectiva.

Como comunica:

Estes sentimentos são comunicados através da analogia às batalhas travadas entre escoceses e ingleses. As guerras entre diferentes nações criam, tendencialmente, um sentimento de irmandade, de identidade nacional, em que os diferentes membros do povo se identificam.

No caso de quem comunica ser uma entidade nacional, poderá usar a história como recurso para induzir no espectador um sentimento de irmandade. No entanto, se pensarmos que quem comunica é uma empresa estrangeira, a forma de comunicar seria diferente. Neste caso, a mensagem é transmitida pela solidariedade. Isto é, apesar de a empresa não ser daquele país, existe um sentimento de companheirismo nas lutas travadas e, por isso, uma identificação com a nação escocesa.

Para quem comunica:

Apesar de não termos acesso à origem da imagem, podemos considerar que se destina ao povo escocês.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O Espaço das Pequenas Coisas

Muitas vezes pergunto-me: o que é a felicidade? É um conceito tão vasto, tão abstracto, tão subjectivo, tão complexo. E por ser tão complexo travam-se batalhas entre países, entre regiões, entre as pessoas e nas pessoas.
Mas, afinal, o que é que nos impede de alcançar a felicidade? As pequenas coisas, as diferenças. O ser humano é, de forma inata, intolerante à diferença, seja cor, raça, cultura, língua, clima, educação, época. Tudo o que é diferente é instantaneamente rejeitado. Não se trata de crueldade, mas de instinto. Há uma sensação de desconfiança, um medo profundo do desconhecido.

E, agora, pergunto: como combater isso? Afinal, é só uma emoção, se nos apercebermos dela, o segundo passo é controlá-la. Nem sempre o que é diferente é mau. De facto, as pequenas coisas são o melhor que há porque impedem a vida de ser monótona.
E, por isso, partilho uma pequena coisa minha e só minha, o registo das viagens que fiz: todas as culturas são fascinantes e quanto mais divergentes da nossa cultura ocidental, mais aprendo. E como eu gosto de aprender!