quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os "parceiros"

Partindo de uma citação de Mia Couto a propósito dos países do Terceiro Mundo (definição do exame nacional de português, não minha).



O Terceiro Mundo deveria estar, hoje, completamente ultrapassado. A globalização é, simultaneamente, causa e consequência da aproximação dos povos. Não deveria, portanto, fazer sentido falar em países "subdesenvolvidos".
De facto, desde a Revolução Industrial e com o desenvolvimento dos meios de informação e comunicação, as assimetrias entre os países têm vindo a ser atenuadas. As elevadas taxas de imigração - legal e ilegal - e de emigração assinalam o crescente fenómeno de mobilidade. Não se pode afirmar a inexistência de características outrora típicas de "nações de periferia" nos países ditos desenvolvidos: fome, corrupção, pobreza, proliferação de doenças são exemplos de fenómenos que ocorrem simultaneamente nos dois tipos de nações.
Por outro lado, subsistem questões delicadas: serão comparáveis as taxas de analfabetismo de França e do Senegal, por exemplo? Será justo comparar as taxas de mortalidade infantil da Alemanha e da Guiné-Bissau? Poderemos comparar as condições de extrema pobreza da República do Congo com os dois milhões de pobres em Portugal? Não, não podemos. Não é comparável. Parece uma espécie de piada pervertida, no século XXI, ainda existirem pessoas a viver em tão precárias condições.
Persiste, então, a dificuldade nas parcerias. O grande problema dos países "parceiros" é a sistematização de processos. Parafraseando o ditado: "podemos dar o peixe ou ensinar a pescar" e o desafio reside na última parte. A construção de conhecimento é como a construção de uma casa: primeiro, precisamos dos tijolos, os conhecimentos básicos de sobrevivência, de modo a suportar o peso das paredes e do telhado, as tais parcerias.
Concluindo, apesar do desenvolvimento verificado nos "países parceiros", subsistem, ainda, desafios com necessidade de serem respondidos urgentemente.

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