quarta-feira, 23 de maio de 2012

Período Operatório Formal

O período operatório formal, introduzido por Piaget no século XX, inicia-se num processo de desenvolvimento contínuo, aproximadamente entre os onze e os doze anos de idade, prolongando-se na idade adulta. Este estádio de desenvolvimento caracteriza-se pela maturação do instinto sexual que “é marcada por desequilíbrios momentâneos, que dão uma tonalidade afectiva muito característica deste último período da evolução psíquica” (Piaget, 1978, p.89). Estes desequilíbrios, desencadeados pelo pensamento e pelos afectos, são próprios deste estádio de desenvolvimento e, funcionando como todo, integram um maior nível de equilíbrio, muito superior ao existente na segunda infância. Ao nível do pensamento, no período operatório formal, o adolescente torna-se capaz de integrar a informação em sistemas complexos, relacionando-os entre si. Torna-se também capaz de tomar decisões de forma consciente, representando interiormente a realidade exterior através de símbolos, signos ou imagens, o que lhe dá a possibilidade de aceder a um nível superior de abstracção, onde as diversas hipóteses e soluções para um problema lhe são representadas, podendo prever situações e consequências nunca antes experienciadas. (Gifford Jr, 2002; Moreno, 2012; Piaget, 1978). Piaget (1978) alerta ainda para a importância desta fase no desenvolvimento de uma teoria pessoal e única em relação ao mundo, uma rede de conceitos interligados, que expressam sentimentos, afectos e pensamentos numa visão geral sobre o mundo que nos rodeia, reflectindo sobre ele segundo um conjunto de normas e valores adquiridos através do processo da socialização. Também as operações lógicas ganham novos contornos, surgindo descontextualizadas, expressas em diferentes formas de linguagem: palavras, gestos, números, símbolos matemáticos, etc. Assim, o pensamento formal é predominantemente hipotético-dedutivo. É importante referir ainda que durante a adolescência e de forma semelhante à primeira infância, estas teorias sobre o mundo são viradas para o próprio indivíduo, num período de desequilíbrio egocêntrico, caracterizado pela assimilação e reflexão sobre o mundo, segundo valores muito próprios, gerando-se, por vezes, crises decorrentes do confronto entre a realidade e essas teorias sobre o mundo. O equilíbrio é, então, atingido quando “a reflexão compreende que a sua função própria não é a de contradizer, mas de preceder e interpretar a experiência.” (Piaget, 1978, p. 94) Relativamente à personalidade, esta inicia-se num período entre os 8 e os 10 anos “com a organização autónoma das regras, dos valores e a afirmação da vontade como regulação e hierarquização moral das tendências” (Piaget, 1978, p. 96). Piaget (1978) introduz o conceito de Lebensplan, o plano de vida no qual estas regras, valores e vontade são integrados e funcionam como um todo. É ainda interessante observar como este programa de vida se traduz também numa imensa generosidade e altruísmo, no qual o adolescente atribui a si próprio um papel messiânico, como salvador da humanidade. A criança identifica nos pais uma posição de conhecimento superior, mas o adolescente anseia separar-se dessa conceptualização dos adultos, sentindo-os como inferiores a si, graças à nova personalidade que se agita dentro de si. Daí que a megalomania ganhe importância sob a forma de projectos de cooperação social. Por outro lado, o adolescente descobre o amor. Ainda que este amor seja por um objecto, para Piaget (1978), este objecto não é mais do que a projecção de um ideal num ser real, sendo este processo mais vincado nas raparigas, em que o programa de vida é hierarquizado segundo um conjunto de valores afectivos, e menos num sistema teórico hipotético-dedutivo. Quanto à vida social, numa fase inicial, o adolescente interage pouco com a sociedade, mas não se pense que a ignora. Pelo contrário, tece interiormente críticas ao modo de funcionamento, assumindo o papel messiânico referido anteriormente. Numa fase posterior, de maior aproximação, torna-se possível a interacção social com outros adolescentes, assumindo, ainda, a crítica um papel central nestas interacções. A verdadeira pacificação só se verifica quando o indivíduo passa de reformador a realizador, quando verdadeiramente experimenta e vive o seu Lebensplan. 20 de Maio de 2012 Bibliografia Gifford Jr., A. (2002). Emotion and self-control. Journal of Economic Behavior and Organization. (49), 113-130. Moreno, A. (2012). Caracterização linguística [Apontamentos]. Retirado em 10/05/12. Piaget, J. (1978). Seis estudos de Psicologia. 8ª Edição. Lisboa: Publicações D.Quixote.

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